Na verdade, o amor que procuramos é o amor romântico, aquele que nos completará em todos os sentidos. Idealizamos uma vida em conjunto pautada na fusão e não na aproximação de dois corpos. Queremos nos integrar a alguém de tal forma que as vontades sejam as mesmas, os pensamentos e a visão de mundo estejam em perfeita sintonia, como se individualidade não existisse. É claro que, com o passar do tempo, percebemos que isso tudo não passa de teoria. O amor vai perdendo, sim, um pouco do seu brilho frente às adversidades do dia-a-dia ainda que não perca a essência. Então, nessa hora, começamos a questionar sentimentos e atitudes tanto nossas quanto de quem está ao nosso lado.
O amor possui várias caricaturas e pode ser confundido com outros sentimentos. Se necessito desesperadamente de alguém, isso não é amor, é carência; se me entrego de corpo e alma a essa pessoa, isso também não é amor; é paixão. E por termos, geralmente, uma visão egoísta nos relacionamentos, acabamos por nos decepcionar quando as expectativas (leia-se, desejos) que depositamos no outro não nos satisfazem em plenitude. Não temos exatamente uma preocupação com o ser amado, mas sim com o que ele pode nos proporcionar. Não temos a intenção de completá-lo, mas sim de nos sentirmos completos. Daí, o desencanto, o afastamento e a insegurança em relação ao que de fato sentimos pelo outro.
O nosso ideal de amor é unilateral; é preciso, portanto, ter sensibilidade para adequá-lo e fazê-lo perdurar no avançar dos dias com aquela pessoa que entendemos ser a que está mais próxima das nossas aspirações sentimentais. É aquela que nos compreende e quer ser compreendida; que não se coloca acima em exigências e tão pouco se doa; que consegue entender o significado real da palavra “compartilhar” e que, mais importante que tudo, está disposta a dividir todas as emoções, até as mais simples. Se o nosso amor não fosse tão idealizado, entenderíamos que a razão comunga com ele em todos os aspectos, muito mais do que os desvarios frenéticos que tanto buscamos em um relacionamento.
Luciana Penteado