sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Madame Lenormand



Marie-Anne Adélaïde Lenormand, a grande Sibila do Século XIX ou simplesmente, Mlle. Lenormand, como é mais conhecida, nasceu na cidade francesa de Alençon, região de Orne, em 27 de maio de 1772.
Sua vida e obra estão envoltas numa aura de mistério e lendas, mas podemos afirmar, com toda a segurança, tratar-se de uma pessoa altamente evoluída, versada em Astrologia, Mitologia, Cabala, Tarô, Numerologia, Alquimia, Geomancia, e também no estudo das Flores como instrumento de mensagem oracular. Nos seus 71 anos de vida, ficou famosa pelas previsões que fez às figuras ilustres da época, como Jean Paul Marat, Antoine Saint-Just, Maximilien Robespierre, Fouché, Barras, General Moreau, o cantor Garat, o pintor David, o príncipe Talleyrand, Napoleão Bonaparte e sua esposa, Joséphine de Beauharnais.

Mlle. Lenormand era ao mesmo tempo temida e respeitada - uma verdadeira "bruxa", sempre acompanhada de seu fiel gato preto. Era uma mulher de porte altivo e elegante, dotada de grande força de vontade e autoridade. Sua comunicação era clara, com análise das questões feita com imparcialidade e precisão. Era dotada de forte intuição aliada a uma mente calma, ponderada e prática, e tinha habilidade manual acentuada e sensibilidade artística - ela mesma idealizou e desenhou seus baralhos. Gostava de envolver-se em atividades intelectuais, passando longos períodos nos museus e bibliotecas, pesquisando e estudando. É provável que tenha tido participação ativa em grupos esotéricos, que nessa época eram obrigados a se manter ocultos, já que forte repressão era exercida por parte das autoridades. Para evitar problemas, ela mantinha em sua residência na Rue de Tournon, nº 5 - Faubourg Saint-Germain, a "Livraria Mlle. Lenormand", onde discretamente atendia a clientela num pequeno salão cabalístico localizado no porão do edifício.

Sua infância em Alençon foi muito boa. Seu pai era um abastado comerciante de tecidos. Tão logo atingiu a idade escolar, foi matriculada na Abadia Real das Monjas Beneditinas. Durante sua permanência neste local Marie-Anne experimentou os primeiros lampejos de seus poderes psíquicos, anunciando a iminente transferência e substituição da Abadessa por uma senhora proveniente da região de Picardie. Sendo uma simples criança, divulgou os detalhes de sua visão cerca de dez meses antes de o evento materializar-se, e quando os fatos comprovaram o acerto de sua previsão, é fácil imaginar o espanto e a admiração que tomou conta de toda a irmandade.

Com a morte de seu pai os negócios foram drasticamente atingidos, resultando sérias dificuldades financeiras. Mlle. Lenormand, depauperada, mudou-se em 1786 para Paris. Trabalhadora incansável e estudante dedicada, logo conseguiu certa estabilidade e, nos anos futuros, graças à sua competência nas artes adivinhatórias, granjeou expressiva notoriedade e respeito.

Graças a sua fama e sabedoria, Mlle. Lenormand circulava livremente nas altas rodas da sociedade parisiense da época. Essa mulher, com seu charme e mistério, cativava a todos; seu nome estava sempre na lista de convidados importantes, tanto das grandes festas como das reuniões mais íntimas e seletas da sociedade. Em uma dessas festas conheceu Joséphine de Beauharnais, futura esposa de Napoleão Bonaparte, que nessa época era apenas um oficial de artilharia. Pouco tempo depois, tornaram-se amigas, e Joséphine tomou-a por conselheira.
Mlle. Lenormand prognosticou que Napoleão ascenderia ao trono da França e dominaria grande parte da Europa; previu também sua queda, associada à sua ambição e seu orgulho desmedido. Napoleão, incrédulo, deu uma gargalhada ao ouvir tal previsão, mas, novamente, Mlle. Lenormand estava certa! É interessante mencionar que Napoleão não nutria muita simpatia por ela. Durante seu curto reinado, ele mandou prende­-la por duas vezes sob a alegação de que promovia agitação social e política. Mas, como nenhuma prova concreta contra ela pode ser apresentada, Napoleão foi sempre forçado a libertá-la.
Mlle. Lenormand faleceu em 25 de junho de 1843, deixando uma herança considerável de aproximadamente 120.000 francos.
Ela foi sepultada no Cemitério Père Lachaise, em Paris.
Por Geraldo Spacassassi